quinta-feira, julho 17, 2014

Que não sejamos desleais ao bem que está em nós por uma submissão covarde ao mal que está na sociedade. - Paul Brunto

quarta-feira, julho 16, 2014

Só de sacanagem

Meu coração está aos pulos
Quantas vezes minha esperança será posta a prova?
Tudo isso que está aí no ar
Malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro
Que reservamos duramente
Para educar os meninos mais pobres que nós
Para cuidar gratuitamente da saúde deles, dos seus pais
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade
E eu não posso mais
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz
Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros
Venha quebrar no nosso nariz
Meu coração está no escuro
A luz é simples
Regado ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó
E os justos que os precederam: “NÃO ROUBARÁS”
“Devolva os lápis do coleguinha”
“Esse apontador não é seu, minha filha”
Pois bem, se mexeram comigo 
Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido 
Então agora eu vou sacanear 
Mais honesta ainda eu vou ficar 
Só de sacanagem
Dirão: “deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba”
E eu vou dizer: “não importa, será esse o meu carnaval”
Vou confiar mais e outra vez
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos
Vamos pagar limpo a quem a gente deve
E receber limpo do nosso freguês
Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal
Dirão: “é inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”
E eu direi: “não admito, minha esperança é imortal”
E eu repito: “ouviram? IMORTAL”
Sei que não dá pra mudar o começo
Mas, se a gente quiser
dá pra mudar o final!

Elisa Lucinda

domingo, julho 13, 2014

quarta-feira, julho 09, 2014

Foi-se a copa...

Foi-se a copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.

Drummond


terça-feira, julho 08, 2014

Poeta da terrinha

"É assim, você se parece um pouco comigo, na cara de bravo e no tom delirantemente maníaco quando está de bom humor. Goza a insanidade quando está com fome e não tem nenhum tipo de horror a solidão. Mas, como toda boa pessoa, você é delicadamente sociável, mesmo que tua barba, às vezes, diga o contrário. Você pra mim, é um tipo de poesia sendo degustada por uma criança que ainda não aprendeu a ler, como um bêbado provando um vinho caro e perdendo todo o sabor no meio da degustação. Eu sou o atropelo e você a cautela, nos dias ruins somos os dois a displicência. O que te difere de mim é a delicadeza que conduz os teus passos e é exatamente nela que eu mais tropeço. No fim do dia, eu evidencio meu desajeito e você casa teus pés nos meus, só pra me ensinar a dançar."

Natália Brandão

segunda-feira, julho 07, 2014

O homem, Deus e a natureza

O homem é a mais insana das espécies. Ele adora um Deus invisível e destrói a natureza visível. Sem saber que essa natureza que ele está destruindo é esse Deus que ele está adorando. 

- Hubert Reeves

domingo, junho 29, 2014

Deu uma vontade

“Deu uma vontade de te ter aqui. Vontade de um abraço apertado, um beijo demorado e de ouvir tua voz. Vontade de te fazer sorrir e de rir junto. Vontade de deitar com você, falar sobre o futuro, e deixar o tempo passar. Uma vontade enorme de que seja só eu e você.”

sábado, junho 28, 2014

Quem nunca?



vocês confundem amor com vontade de trepar

domingo, junho 15, 2014

ela

“Ela me traz paz, e eu nem sei se ela sabe… Ela não deixa só o cheiro espalhado pela roupa e pelo quarto; deixa o sorriso estampado na cara e a alma tão leve que quase tenho que buscá-la no céu. Transforma o cinza em azul, ou qualquer coisa brega que dê para se entender. Ela me tumultua para me acalmar. Não sei se faço o mesmo por e com ela. Porque nunca naveguei em águas calmas e meus olhos são cheios de mistérios, aflições e tenho esse meu ar meio melancólico. Mas mal sabe ela que sou feliz, porque deitar ali um segundo só já é sonhar, porque ouvir a sua respiração pertinho da minha recupera qualquer fôlego. Sou feliz por agora escrever pieguices e não querer de forma alguma apagar cada palavra. Meu romantismo antes vagabundo agora é todo dela, e eu acho que ela nem gosta dessas coisas. Eu também não gosto. É que ela é ela, ela acerta o tom, a medida exata da paz. E tudo bem, lá fora todos estão se matando, até a polícia resolveu matar. Mesmo em tempos de guerra, ela só me dá vontade de falar em paz… E dizem por aí que estar apaixonado é estar alienado.”

—           Camila Costa.  

domingo, junho 08, 2014

Esse mistério encantado

"Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito e os outros
Contentam-se em ser amados.

Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Diga pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?..."

Florbela Espanca