domingo, maio 20, 2007

Amo Você Mãe

Para Sempre - Drummond

Porque Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar limpo,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

sexta-feira, maio 11, 2007

Velha Infância

Mais um simples dia de sábado. O sol modela uma bela paisagem campestre. Deitada na rede admiro e lembro...
Minha infância...
Passei grande parte dessa fase de minha vida na pequena cidade do interior onde morava até meses atrás, e para onde volto com sorriso no rosto praticamente todos os finais de semana. E como foi bom! Afirmo com deliciosa saudade e gostosa tristeza, que não poderia ter sido mais feliz.
Fui uma criança saudável. Com festa de aniversário, álbum de fotos, cachorro, gincana, piquenique, casa na árvore, banho de piscina. Relembro-me com doçura dos teatros amadores apresentados para a família, onde a improvisação era o que mais divertia. Recordo-me das trilhas feitas pelos morros que terminavam em saborosos banhos de cachoeira e muitas gargalhadas. Guardo na memória o esconde esconde, o pique bandeirinha, a queimada e os apetitosos lanchinhos que minha mãe preparava nos intervalos dessas brincadeiras. Ah... E com intensa alegria, penso nos banhos de chuva!... Os extraordinários banhos de chuva... Com sabor de bolo de chocolate e cheiro de terra molhada. E depois o bolinho de chuva com suco de laranja e o banho quentinho.
Tudo era tão perfeito naqueles tempos... Meu pai, minha mãe, meus irmãos, meus primos, meus avós, os animais... As árvores e as flores eram mais belas e as frutas e o que se comia tinham um doce sabor de felicidade... “Tudo parecia impregnado de eternidade”

segunda-feira, abril 30, 2007

domingo, abril 29, 2007

Libertas quae sera tamen

sábado, abril 28, 2007

Viva a Liberdade!


Liberdade - Palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!  (Cecília Meireles)

domingo, abril 22, 2007

Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

"(...)
Ernesto Che Guevara
teu fim está perto
não basta estar certo
pra vencer a batalha

Ernesto Che Guevara
entrega-te à prisão
não basta ter razão
pra não morrer à bala

Ernesto Che Guevara
não estejas iludido
a bala entra em teu corpo
como em qualquer bandido

Ernesto Che Guevara
porque lutas ainda?
A batalha está finda
antes que o dia acabe

Ernesto Che Guevara
é chegada a tua hora
e o povo ignora
se por ele lutavas
(...)"

domingo, abril 15, 2007

Amores Possíveis


E se invés de escolher essa pessoa e suas probabilidades decidisse ficar com a outra e suas possibilidades? O que envolve as decisões amorosas? Que sentimentos consideramos ao optar por alguém? Em que consiste o paradoxo do amor? Diante dos amores possíveis, qual pergunta a fazer? E qual caminho seguir? E qual deles arriscar?

"O coração possui razões que a própria razão desconhece."
Blaise Pascal

sexta-feira, abril 06, 2007

Para a Páscoa

Tabacaria - Álvaro de Campos

(Come chocolates, pequena,
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

domingo, março 25, 2007

Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças



Feliz o destino da inocente vestal

Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Toda prece é ouvida, toda graça se alcança

domingo, março 04, 2007

Ainda no país do Carnaval...

Passamos o Carnaval, os amigos e eu, em nossa pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. Carnaval esse que resume-se ao desfile de umas poucas e humildes escolas de samba do subúrbio e um pequenino trio elétrico, o qual só vai atrás quem já morreu... E tudo se concentra no point da cidade: uma tradicional praça – com palmeiras, coreto e chafariz – em que se localizam alguns quiosques e faz frente a uma avenida e um clube, clube esse que misteriosamente não promove mais eventos carnavalescos. Há pequenas festas organizadas por jovens conhecidos, com direito a bebida liberada e camisa personalizada. Enfim, isso é Carnaval...
Frases e comentários marcantes complementaram nossas peripécias carnavalescas. Deitados no terraço admirando a lua houve quem disse: “O céu se abriu para nós”. Outros, a beira do rio ouviram palavras românticas: “O céu... a lua... a luz negra...”
O álcool foi nosso conselheiro e ninguém foi de ninguém e todo mundo de todo mundo. Para alguns existiu exclusividade, mas só enquanto durou o Carnaval... Controverso feriado...!
Participamos de tudo isso – salvo algumas exceções – e embora desejamos arduamente viajar no próximo Carnaval, podemos dizer que nos divertimos. Na quarta-feira de cinzas, enquanto estávamos na “praça-point” deseeerta, escuuura e solitááários, fizemos um balanço de nosso feriado. Cada um com suas conclusões a respeito de si próprio, rimos e recorremos a filosofia de mesa de bar, tamanha repercussão psicológica teve esses dias para nós! Os saldos carnavalescos consistiram nos seguintes pensamentos: “às vezes algum prejuízo”, “as pessoas dizem que sim, mas a gente sabe que não”, “Game Over”, “nem o isqueiro tá querendo voltar”... Nota-se a profundidade verbal diante de experiências que desviaram alguns rumos, mas orientaram outros...
Concluindo, foi um Carnaval bastante movimentado para uma pacata cidade interiorana! Apesar de tudo isso, além de tudo isso, por tudo isso no próximo ano vamos pra Bahia!!!